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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Lula diz que saiu “muito satisfeito” após reunião com Trump

 

 

Tanto Luiz Inácio Lula da Silva quanto Donald Trump classificaram o encontro desta quinta-feira, 7, na Casa Branca como positivos. Para especialistas ouvidos pelo Estadão, a reunião foi um marco positivo nas relações entre Brasil e EUA. Mas é preciso prudência ao esperar resultados concretos em se tratando de Donald Trump.


Foram abordados assuntos-chaves para os dois governos, como crime organizado, tarifas e terras raras. A reunião também abriu caminho para acordos futuros sobre os assuntos e demonstrou um entendimento mútuo entre os presidentes.
O encontro começou com uma reunião bilateral pela manhã e se estendeu em um almoço. Ao todo, foram mais de três horas a portas-fechadas.

A diplomacia brasileira tinha como principal objetivo enviar uma mensagem de soberania nacional e reabrir as portas ao comércio sem sobretaxas, após meses de críticas e tarifas sobre produtos brasileiros. A tarefa foi bem-sucedida, avaliam os analistas.

“Independentemente dos resultados concretos, o que veio de bastante positivo foi a possibilidade de um encontro de mais de três horas com o presidente americano e uma demonstração brasileira de que a sua soberania está sempre sendo priorizada”, avalia a professora da Unifesp Cristina Pecequilo.

O tema da soberania apareceu em tópicos como a regulação de plataformas digitais, a exploração de terras raras e as investigações americanas relacionadas à Seção 301. Por meio dela, o governo pode investigar práticas de Estados estrangeiros consideradas injustas pelos Estados Unidos. A legislação autoriza ainda a imposição de ações como resultado dessas apurações, inclusive tarifas.
“Trump é um político que tem respeito por aqueles que demonstram mais força, aqueles que defendem os seus interesses e dos seus países, então foi um encontro muito positivo”, continua a professora.
Embora o compromisso tenha deixado impressões positivas, Carlos Gustavo Poggio, do Berea College do Kentucky, alerta que ainda é difícil falar em estabilidade quando o assunto é o presidente dos EUA, mas que existe a possibilidade de uma relação mais favorável ao Brasil no futuro.

Uma dessas questões é a parceria com o Brasil para a mineração de terras raras, por exemplo. Os minerais críticos são essenciais para a produção de diversos componentes e o País possui reservas importantes desses insumos.

A exploração, porém, foi condicionada à acordos que possam levar em consideração a soberania brasileira sobre as reservas, afirmou Lula, um sinal de que é preciso relações estáveis para fazer negócio com o país.

O tema foi, ainda, uma prévia de como o assunto deve se tornar latente para os EUA nas próximas semanas. No dia 14 de maio, Trump se encontra com o líder chinês Xi Jinping em Pequim para uma série de conversas sobre os dois países.

O Brasil pode ser uma das alternativas americanas para ajudar a reduzir a distância tecnológica de Washington em relação aos chineses, começando pelos minerais críticos e, eventualmente, evoluindo
para acordos para a construção de data centers em território nacional.

“Esse é um elemento crucial. Você está num contexto de competição entre China e Estados Unidos, e a China controlando 70%, 80% desse mercado”, afirmou Poggio. “O Brasil, tendo todo esse potencial que tem nas terras raras, torna-se, portanto, um parceiro evidente para os Estados Unidos. Essa me parece que é a questão estrutural mais importante que independe dessa relação entre os dois”.
Vinicius Rodrigues Vieira, professor de relações internacionais da FAAP e da FGV, também afirma que ainda é cedo para determinar se o encontro deve realmente beneficiar o país em relação às tarifas e em outras relações comerciais. “Só no longo prazo vamos saber se as notícias são boas para o Brasil e para o interesse nacional, porque dependem de outros níveis”.

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